A História de um Concurseiro

A História de um Concurseiro

Olá, Amigos!

Tudo bem com vocês?

Hoje vou lhes contar a história de um velho amigo. Tudo aqui é verídico, à exceção do nome dele, Ok?

Quando o conheci, Jostílio era um sujeito extremamente melancólico: quase não falava com ninguém. Estava sempre sozinho. Andava de cabeça abaixada, e raramente olhava no rosto das pessoas. 

Só algum tempo depois fiquei sabendo de sua situação. Seu pai, sexagenário, estava doente e a empresa em que trabalhava há quase trinta anos ameaçava demiti-lo. Aquela remuneração muito mal garantia o mínimo necessário para a família, todavia representava todo o seu sustento. 

Jostílio não tinha irmãos, e isso provavelmente contribuiu para que se tornasse tão introspectivo. A despeito de toda a pobreza, e de seu temperamento taciturno, soube muito bem valorizar as minguadas oportunidades que teve: do ensino público, chegou ao curso de engenheria de uma universidade federal.

Conheci Jostílio já na faculdade, e ele pareceu-me pouco sociável. Era a depressão que o fazia esconder-se de todos. Sim, ele sofria de uma forte depressão, que o fazia enxergar a vida com descrença. Sobretudo, a respeito de si próprio. 

Quando falava, suas palavras eram invariavelmente pessimistas. Não se sabia ao certo se ele agia assim para chamar atenção ou por outro motivo. No início, chegava a parecer engraçado. Mas o convívio acabava por afastar as pessoas de Jostílio. 

Quanto mais o curso de engenharia aproximava-se do final, mais deprimido ficava Jostílio, uma vez que, totalmente desacreditado de si, não vislumbrava qualquer perspectiva de emprego. Ressalte-se que ele era um dos melhores alunos da turma. Destacava-se em quase todas as cadeiras e os professores o elogiavam. 

Nada disso lhe valia.

Teríamos concluído o curso juntos, não fosse a idéia de Jostílio de procrastinar sua formatura, matriculando-se em uma única cadeira optativa para o semestre seguinte. 

Foi justamente neste semestre em que iniciei minha preparação para concursos públicos.

Ao contrario daquele meu amigo, eu estava animadíssimo com a ideia de me preparar para concurso e, movido pelo otimismo de sempre, dava por certa a minha aprovação num futuro próximo. 

Pela primeira vez na vida, vi-me a estudar matérias como Direito, Contabilidade, e outras tantas.

Jostílio acompanhava a distância aquele meu projeto, enquanto eu insistia em lhe convencer a ingressar na mesma jornada, em acreditar em seu potencial e a lutar pela conquista de um cargo público.

Naquele semestre, enquanto Jostílio cursava uma única disciplina na faculdade, empenhava-se, no restante do tempo, em distribuir seu currículo em todas as fábricas da cidade, e das vizinhas. Findou o semestre sem qualquer oferta de emprego.

Agora já não era somente seu pai que estava doente. Também a mãe de Jostílio adoecera seriamente. O mundo parecia desabar, com todo o seu peso, nas costas daquele filho único. 

Foi neste cenário desolador que ele tomou a decisão: começaria seus estudos para concurso, a todo custo.

Mas como? Ele não tinha como pagar cursinhos preparatórios. Não tinha como comprar livros, apostilas, material de estudo. Não tinha computador com internet, para pegar provas passadas...

Mas Jostílio conhecia o sentido da palavra decisão. E ele estava de fato determinado a passar. Obstáculos existiam para ser superados. Quem disse que seria fácil? Esse pensamento nunca lhe ocorreu. Conhecia bem cada dificuldade. 

E a seu favor, o que havia? O apoio dos pais. Após longa conversa, combinaram os três – pai, mãe e filho – a assumir esse projeto, como se formassem uma equipe. 

Jostílio tinha um quarto, e nele uma grande mesa velha de madeira. 

Ah, quase esqueço: ele também tinha um amigo.

Ao longo de quase dois anos de estudo intensivo, Jostílio jamais entrou em uma sala de cursinho. Sua rotina resumia-se aos estudos em casa. Aquele amigo o ajudou assim: quando não estava estudando tal matéria, emprestava os livros que tinha a Jostílio. E assim, revezavam constantemente entre si o material.

O dia de Jostílio começava cedo, nunca depois das seis da manhã. Aliás, seus dias pareciam todos iguais. Sua rotina era a seguinte: de manhã, livros; breve parada para almoço; à tarde, livros novamente; breve parada para jantar; à noite, livros.

Em minha vida inteira, confesso que jamais conheci tamanha determinação. 

Aquele ano era o de 1997. Um ano inteiro consumido sobre os livros. Não havia espaço para mais nada: namoradas, passeios, viagens, nada. O momento era o de conquistar; o de usufruir estava sendo adiado. Jostílio tinha consciência disso como ninguém.

Naquele ano, viajamos de ônibus para Belém do Pará – eu, Jostílio e outro colega – para enfrentar um concurso disputadíssimo. Naquele tempo, era comum que a concorrência chegasse a trezentos, quatrocentos, quinhentos candidatos por vaga.

Na ocasião, Jostílio só então contava um ano de estudos. Ou quase isso. Eu tinha pelo menos um ano de vantagem sobre ele. Tanto foi que tive a melhor nota dos três. Fiquei de fora por uma questão apenas. Jostílio, para minha surpresa, conseguiu mais de sessenta por cento de acerto naquela prova. Uma pontuação invejável, para quem tinha começado tão recentemente a preparar-se.

Frente ao resultado, nossas reações foram opostas: a minha era de euforia! Não tinha passado, é certo, mas por pouco! Significava que eu estava quase lá! Não tinha sido esse o meu concurso, mas seria o próximo!

Para Jostílio foi diferente. Começou a acreditar que não era capaz. Que estava perdendo seu tempo naqueles estudos. 

Chegando em casa, levou seu currículo de engenheiro para uma sapataria. Queria vender sapatos no shopping. O gerente da loja ficou espantado: era o melhor currículo que ele já tinha recebido. Ficou até sem jeito de dizer que o emprego era dele, mas que pensasse melhor, que o salário não era lá essas coisas...

Tive que ir à casa de Jostílio, para convencê-lo a não fazer aquilo. A muito custo, fiz com que visse que estaria jogando fora meses preciosos de estudo, os quais já o haviam feito subir vários degraus em sua preparação; que já não era mais um iniciante; que fizera progressos.

Decidiu, enfim, tentar mais uma vez. Não se permitiria uma terceira chance. O próximo concurso que fizesse seria o último, qualquer que fosse o resultado. E reiniciou sua rotina de estudos. 

O divertimento semanal de Jostílio, segundo suas próprias palavras, era assistir TV domingo à noite. Era a única concessão que se permitia. Era seu contato com o mundo exterior. Afora este, outro não havia.

Alguns meses após, saiu novo edital, com vagas para o Nordeste. Faríamos a prova em Recife. Dez vagas apenas. Mais de quinhentos candidatos por vaga.

A alguns dias da prova, o estado de saúde da mãe de Jostílio piorou, forçando-lhe a permanecer em Fortaleza. Ele não pôde fazer aquele concurso, para o qual estava até mais preparado que eu.

Consegui minha aprovação, em sexto lugar. Fui avisar Jostílio da notícia, mas o encontrei mais deprimido que nunca.

Sentia-se perdido. Conversamos longamente, e fui muito sincero em lhe dizer que ele estava realmente prestes a ser aprovado. E lhe disse mais: que naquele mesmo ano de 1998 sairia edital para Fiscal da Receita, e que estava certo de que uma daquelas vagas seria dele.

Disse-lhe com essas palavras: “o Fiscal da Receita vai ser o seu emprego. Você vai saltar de zero para um bom salário.” Jostílio resolveu arriscar tudo naquela aposta. Lutando contra todas as circunstâncias, retornou aos livros, de forma ainda mais obstinada.

Dito e feito: alguns meses após, saiu mesmo o edital para Fiscal da Receita. Dez vagas para a quarta região fiscal. Prova no Recife. Resultado: Jostílio – terceiro colocado. Uma prova magnificamente bem feita. A nota que tirou o teria aprovado nas vagas em qualquer lugar do País.

No dia da divulgação do resultado, Jostílio simplesmente não conseguia acreditar. Seus pais choravam como crianças.

A vida de Jostílio nunca mais seria a mesma. Não somente por causa do salário que ganharia, mas sobretudo porque havia recuperado sua autoestima. Acreditava novamente em si.

Hoje, passados todos esses anos, revirando papéis velhos, encontrei uma carta escrita por Jostílio em agosto de 1998, poucos meses antes da prova que mudou sua vida. Algumas de suas palavras: 

“Eu estou aqui no meu quartinho estudando pra variar. Como sempre solitário, meio saturado desta rotina desgastante e, às vezes, sem sentido que é preparar-se para concursos públicos. Mas é preciso continuar, não é mesmo? É preciso ir em frente e não desanimar, não é verdade? Mas você, mais que ninguém, compreende que esta preparação muitas vezes fica difícil demais de aguentar... Pois é, estou aqui novamente me preparando para mais um concurso.”

Que bom, meu caro Jostílio, que você acreditou mais uma vez. Com a aprovação, ele pôde pagar plano de saúde para os pais. Uma das maiores alegrias de sua vida foi poder comprar uma casa para sua mãe. 

Jostílio hoje é um servidor competente e respeitado.

Ocorreu-me contar esta história verídica, obviamente preservando o nome verdadeiro do protagonista, porque sei que você, meu amigo, minha amiga, pode estar vivendo hoje situações de dificuldade, de desânimo, de desesperança. Não há quem não as enfrente nesta vida. 

E quantas vezes pensamos em desistir de tudo. 

Todavia, às vezes o que nos falta é só um pequeno incentivo. É só alguém a nos dizer que podemos ir além. 

Encerro este artigo com as palavras do Jostílio, escritas por quem teve tudo para desistir, em pleno tempo de guerra: 

“Mas é preciso continuar, não é mesmo? É preciso ir em frente e não desanimar, não é verdade?”

Estamos juntos!

Um forte abraço a todos!

E fiquem com Deus!

Prof. Sérgio Carvalho

olaamigos@gmail.com

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