Entre a Língua Portuguesa e a Contabilidade!

Entre a Língua Portuguesa e a Contabilidade!

Olá, Amigos!

É sempre um enorme prazer escrever para vocês!

Hoje trago uma situação bastante inusitada.

Estava eu retornando para casa. Parei o carro em frente ao portão da garagem. Do outro lado da rua, um bar. Saí do carro e fui abrir o portão. Nesse ínterim, os ânimos começaram a ficar exaltados em uma das mesas daquele recinto.

Talvez vocês não saibam, mas, aqui no Rio de Janeiro, é comum as pessoas pronunciarem a palavra MAS de modo nasalizado. Algo do tipo: MÃS. É uma tentativa — ainda que frustrada — de diferenciação perante a palavra MAIS. Tudo isso por causa daquele fonema “chê” tão marcante dos cariocas.

Pois bem…

Um dos indivíduos da tal mesa bradou:

— Mãs isso não é POSSÍVEL!

Sendo logo retrucado por outro:

— Mãs não existe!

Retomando a palavra, o primeiro:

— Como não existe?! Uma mãe, duas mães!

Meus Amigos, tive que conter a gargalhada.

Como se não bastasse, o “guardião da Língua Portuguesa” se irritou de vez e perguntou ao amigo se ele sabia a diferença entre POSSÍVEL e PROVÁVEL.

Não sei qual foi o motivo daquela discussão, mas, como “mexeu” com a Língua Portuguesa, achei interessante compartilhar com vocês.

Diante de tudo isso, podemos fazer, ao menos, duas considerações:


1) PROVÁVEL e EVENTUAL X POSSÍVEL e POTENCIAL

Meus Amigos, esses vocábulos são falsos sinônimos. O professor Sérgio Carvalho os chamaria de DENOREX. O famoso “parece, mas não é”!

PROVÁVEL – aquilo que DEVE acontecer

Um erro PROVÁVEL é o que possui todos os requisitos para se concretizar.

EVENTUAL – aquilo que acontece de vez em quando

Um erro EVENTUAL é um erro PROVÁVEL que ocorre de vez em quando.

POSSÍVEL – aquilo que PODE acontecer

Um erro POSSÍVEL é o que pode se concretizar.

POTENCIAL – aquilo que, a qualquer momento, pode acontecer

Um erro POTENCIAL é um erro POSSÍVEL que está na iminência de se concretizar.

E onde entra a Contabilidade, Elias?

No estudo das PROVISÕES, para classificarmos corretamente as PERDAS ESTIMADAS, é de suma importância entendermos o significado das palavras PROVÁVEL, POSSÍVEL e REMOTA.

Para nossa sorte, o novo nome da Contabilidade está no Olá Amigos! No curso Contabilidade 2017, o professor Feliphe Araújo esclarece todas as minúcias dessa CIÊNCIA.


2) MÁS X MAS X MAIS

a) MÁS – é plural do adjetivo má, feminino de mau.

Ex.: Homens MAUS / Mulheres MÁS

b) MAS – é a principal conjunção adversativa, indicando valores semânticos opostos entre duas orações coordenadas.

Ex.: Preciso estudar, MAS não tenho tempo.

c) MAIS – pode ser pronome indefinido, advérbio de intensidade ou associar-se à conjunção comparativa (DO)QUE, formando a locução conjuntiva MAIS… (DO)QUE. Essas são as três principais classificações do MAIS. Para fazermos a distinção, devemos analisar com quem o MAIS está se relacionando.

- Será pronome indefinido quando se relacionar com substantivo.

Ex.: Preciso de MAIS tempo. (Substantivo)

MAIS – PRONOME INDEFINIDO

- Será advérbio de intensidade quando se relacionar com adjetivo, verbo ou outro advérbio.

Exs.:

Essa é a questão MAIS bonita da prova. (Adjetivo)

MAIS – ADVÉRBIO DE INTENSIDADE

Tenho que estudar MAIS. (Verbo)

MAIS – ADVÉRBIO DE INTENSIDADE

Tenho que estudar MAIS intensamente. (Advérbio)

MAIS – ADVÉRBIO DE INTENSIDADE

- Formará a locução conjuntiva comparativa de superioridade quando se associar a (DO)QUE.

Ex.: O Mundo precisa MAIS de paz (DO)QUE de guerra.


JÁ CAIU EM PROVA!


131- MS CONCURSOS/2017 – Prefeitura de Piraúba/MG – Agente Fiscal de Posturas

Com referência às palavras “mas” (conjunção), “más” (adjetivo) e “mais” (advérbio), assinale a alternativa incorreta:

a) A espada vence, mais não convence.

b) Fiz tudo muito calmamente: devagar se chega mais depressa.

c) Aquelas mulheres são más.

d) O Sol, isto é, a mais próxima das estrelas, comanda a vida terrestre.


132- COMVEST-UFAM/2016 – UFAM – Assistente em Administração (Adaptada)

Em “Foi a indústria da borracha a que mas influenciou”, existe um erro, já que “mas” teria de ser grafado como um advérbio: “mais”.

(  ) CERTO (  ) ERRADO


133- INSTITUTO CIDADES/2013 – MinC – Técnico de Nível Superior (Adaptada)

Reciclar é importante, _______ diminuir o consumo deve ser prioritário.

a) mas

b) mais


134- CETRO/2012 – Prefeitura de Manaus/AM – Advogado (Adaptada)

O trecho “Já é noite, mas a festa ainda não acabou” pode ser reescrito da seguinte maneira, sem que haja erro ortográfico ou prejuízo semântico: “Já é noite, mais a festa ainda não acabou”.

(  ) CERTO (  ) ERRADO


135- FAPEU/2005 – TRE/SC – Técnico Judiciário (Adaptada)

O fato é que me assombro, _______ talvez eu seja anacrônico, antiquado, passado, meus conceitos superados.

a) mas

b) mais


COMENTÁRIOS


131- GABARITO: ( A )

a) O item está ERRADO – Indicando valores semânticos opostos entre duas orações coordenadas, emprega-se a conjunção “mas”. Corrigindo: A espada vence, mas não convence.

b) O item está CERTO – Ligando-se a advérbio (depressa), emprega-se o advérbio “mais”.

c) O item está CERTO – Qualificando um substantivo (mulheres) emprega-se o adjetivo “más”.

d) O item está CERTO – Ligando-se a adjetivo (próxima), emprega-se o advérbio “mais”.


132- GABARITO: CERTO

Ligando-se a verbo (influenciou), emprega-se o advérbio “mais”.


133- GABARITO: ( A )

Indicando valores semânticos opostos entre duas orações coordenadas, emprega-se a conjunção “mas”.


134- GABARITO: ERRADO

Indicando valores semânticos opostos entre duas orações coordenadas, emprega-se a conjunção “mas”, não se admitindo o emprego de “mais”.


135- GABARITO: ( A )

Indicando valores semânticos opostos entre duas orações coordenadas, emprega-se a conjunção “mas”.


Por hoje é só, meus Amigos!

Bons estudos!

Até breve!

Abraços!

Elias Junior

jlmeliasjunior@gmail.com

facebook.com/jlmeliasjunior