Impactando Vidas!

Impactando Vidas!

Olá, Amigos!

Tudo bem com vocês? 

Que alegria escrever-lhes!

Não é raro, hoje em dia, encontrar propagandas acerca de pessoas que se tornaram famosas, "impactando" a vida de outras. 

Em geral, são palestrantes, ou escritores, ou filósofos, ou pessoas especializadas em coaching, etc. 

Essa semana, vi um livro que trazia na capa a seguinte frase, referindo-se ao autor daquela obra: "o homem que já impactou mais de 250 mil pessoas". 

Confesso a vocês que fiquei curioso, sobre como foi que chegaram àquele número. 

E várias outras questões surgiram em minha mente: "o que é impactar? Quando podemos dizer que alguém foi realmente impactado? Qual é a profundidade e a duração do efeito de um impacto, para que seja como tal admitido?"

Daí, comecei a pensar em pessoas que teriam "impactado" a minha vida. Obviamente que meus pais e meus irmãos estão no topo da lista. Mas quis lembrar de outras figuras (além da minha família) que passaram por minha vida, e que deixaram marcas profundas e perduráveis.

Imediatamente fui levado por minhas lembranças aos meus primeiros professores, aqueles responsáveis por criar em mim um grande amor pela Matemática, que sinto até hoje. 

Em 1980, eu tinha 8 anos de idade. Fui aluno da "Tia Teresinha". Lembro-me dela nitidamente. Tinha um trato doce com a turma. É minha primeira lembrança da origem da afinidade que tive com os números. 

Mas aí, em 1981, aos 9, fui aluno da "Tia Elisa". Uma professora expansiva e sorridente, ao mesmo tempo que cobrava muito dos seus alunos. Ela ensinava muito bem a Matemática. Fez-me subir um degrau naquele meu sentimento de carinho pela matéria. 

Em 1983, tive a grata oportunidade de ser aluno da professora Maria de Jesus Cassundé. Ela era mais conhecida apenas como professora Cassundé. Lecionava Matemática há décadas, com arte e maestria. Ali, aos 11 anos de idade, eu já era cativo desta disciplina que me acompanha até hoje. Tirava as melhores notas da sala e, em casa, estudava horas e horas sem me cansar.

Posso dizer que fui muito felizardo, pois nos dois anos seguintes, 1984 e 1985, tive a felicidade de ser aluno do melhor professor de Matemática que tive em minha vida. Seu nome era Tarcísio. Seu sobrenome se perdeu em minha memória, mas não a sua imagem. Era baixo de estatura, mas um gigante em sala de aula! 

Foi o professor Tarcísio que me fez amar a Matemática definitivamente. Nestes dois anos em que fui seu aluno, tornei-me o melhor estudante de Matemática do colégio inteiro. Tirava as melhores notas de todas as turmas do sexto e sétimo anos. 

Jamais esqueço que o professor Tarcísio costumava abrir parênteses em suas aulas, e se dirigia à turma para dar conselhos de vida. Falava da importância de sermos responsáveis, de sermos estudiosos, de respeitarmos nossos pais, de ajudarmos nossa família. Além de aulas que mais pareciam obras de arte, aquele mestre nos dava lições de vida. Era um verdadeiro educador.

Em 1986, aos 14, tive o privilégio de ser aluno do professor Nemésio. Meus colegas de classe, se me lessem agora, chamar-me-iam de louco... "Como assim, privilégio?", eles diriam. Professor Nemésio era quase uma lenda. Fora professor de gerações de alunos em Fortaleza. Sempre muito sério, jamais esboçava um sorriso. Era realmente exigentíssimo. Suas provas, dificílimas! Mas suas aulas, verdadeiras pérolas! 

O professor Nemésio, sabe-se lá por que razão, não gostava muito de quem tirava nota boa em suas provas. E isso o levou, naturalmente, a não gostar muito de mim. Decorou meu nome. No meio de qualquer de suas aulas, sem aviso prévio, colocava uma questão na lousa e dizia: "Vamos ver se o Sérgio sabe responder esse problema..."

E lá ia eu, todo me tremendo, pegar o giz e tentar fazer alguma coisa. 

Foi ali, meus amigos, aos 14 anos, que nasceu o professor Sérgio Carvalho. Os meus colegas ficavam abismados (e o professor Nemésio, enfurecido), que eu quase sempre conseguia resolver aqueles desafios matemáticos que o mestre colocava na lousa para me testar. 

Eu digo "quase sempre" porque houve uma vez, uma única vez, já no finalzinho de uma aula, que o professor Nemésio me chamou novamente ao quadro, com aquela frase fatídica: "Vamos ver se o Sérgio sabe resolver esta daqui..."

Daquela vez, eu não sabia nem por onde começar! Peguei o giz com a mão direita. A mão esquerda foi ao queixo, enquanto eu mirava naquele problema, como quem tem pensamentos matemáticos elevadíssimos... A aparência era de quem já estava vislumbrando uma saída mágica e inusitada. Puro teatro! A turma toda em silêncio absoluto. Dava para ouvir uma mosca pousando num gomo de algodão. 

E aí, o inesperado: um milésimo de segundo antes de eu falar a sentença que sacramentaria a vitória do Nemésio sobre mim, ou seja, que eu não sabia resolver aquela questão, eis que tocou o sino, decretando o fim da aula. 

Salvo pelo gongo! 

Abri um sorriso. Nem conseguia acreditar em tanta sorte! O professor Nemésio, a quem hoje credito uma imensa gratidão, também parecia não acreditar.

Aquela minha turma do oitavo ano me elegeu para seu segundo professor de Matemática. O primeiro era o Nemésio, claro, o oficial. Mas sempre na véspera das provas dele, a turma voltava inteira para a sala de aula no turno da tarde, para assistir à minha aula. Sala cheia. Todo mundo aprendendo com aquele “professor” magrinho, de 14 anos, que ajudava os colegas a se saírem um pouco melhor com as notas.

Isso tudo já faz 30 anos. Acredito que quase todos esses professores que citei aqui já partiram desta vida. 

Mas fizeram parte da minha. Impactaram a minha existência. Por tabela, impactaram igualmente a vida de todos os que já foram meus alunos um dia. Impactaram a vida de todos os que já leram algum dos meus livros ou artigos. Impactaram a vida de quem já assistiu a alguma das minhas palestras. Impactaram a vida dos meus orientandos. 

Não há como estabelecer um cálculo. A árvore se ramifica, se multiplica, e o número de “impactados” tende ao infinito. 

Afora nossos pais, nossos irmãos, nossa família, hoje reconheço que são os professores os grandes seres impactantes da nossa existência. 

E não apenas os professores de Matemática, obviamente. Muitos outros também marcaram a minha vida. Em Língua Portuguesa, jamais esquecerei do grande e saudoso mestre Itamar Filgueiras. Se houvesse hoje um livro escrito sobre ele, a frase da capa teria que dizer assim: “o homem que fez dois milhões de pessoas chorarem no dia de sua morte”. Fortaleza inteira lamentou sua partida. 

Eu fui um dos que choraram copiosamente com a notícia, em abril de 2012. E já fazia uns 15 anos que eu fora seu aluno. Isto é que é ser impactante, concordam? 

Acabo de encontrar, com grande surpresa, um pequeno vídeo no YouTube, com um pedacinho (uns 3 minutos apenas) de uma aula do professor Itamar. Uma mínima amostra daquele que era um gigante de humildade, e amigo sincero de todos os seus alunos. Professor Itamar é minha grande inspiração e sempre o será. Quem quiser ver este vídeo depois, clique aqui.

Estou convencido, meus amigos, de que todos nós temos a missão de “impactar” a vida daqueles que nos cercam. Não é preciso sermos professores, ou palestrantes famosos, ou grandes escritores, ou coisa que o valha. Podemos impactar com gestos pequenos. Uma palavra. Um olhar. Um abraço sincero. 

Meu amigo, professor Apoliano Albuquerque, o único Professor Doutor (PhD) que eu conheço mais de perto, prefere ser chamado por todos apenas de Popó. O homem é o retrato da simplicidade. Certa vez, ele me disse assim: “todos os dias, eu tenho a missão de cumprimentar pelo menos 10 pessoas invisíveis”. Perguntei-lhe quem são estes invisíveis. Respondeu-me que são aqueles que exercem as profissões mais humildes na sociedade – porteiros, vigias, zeladores, lixeiros, a moça do cafezinho - pessoas que estão presentes nas empresas, nas repartições públicas, nos prédios de condomínio, em toda parte, e que muitas vezes são simplesmente ignoradas, e nem sequer cumprimentadas por quem passa.  

“Essas pessoas são mesmo invisíveis, Serginho! Quase ninguém as cumprimenta”.  

Mas o Popó não passa por uma dessas pessoas sem um entusiasmado “bom dia!”, ou um “como vai o senhor?”, “como vai a senhora?”, “tudo bem?”, “como tem passado?” E mais que isso, ele não passa por um “invisível” sem um sorriso no rosto, um aceno, um aperto de mão ou até mesmo um abraço.

Vocês imaginam o impacto disto na vida delas? Talvez tenham ganhado o seu dia, aquelas pessoas tão humildes, por terem sido tratadas com tanta consideração e amizade por alguém vestido de paletó e gravata, a quem eles nem sequer conheciam.

O Popó certamente não tem um registro de quantas vidas já impactou. No fim das contas, a quantidade é o que menos importa, senão a qualidade do bem que fazemos, ou que somos capazes de fazer.

A propósito, meus amigos, qualquer bem que façamos deixa de nos pertencer. Ganha vida própria. Espalha-se. Atinge, quase sempre, muito mais vidas do que tínhamos a intenção de atingir.

Há poucos dias, fiquei sabendo por um professor amigo meu, nosso mestre Rivelino Câmara, que leciona em um colégio público aqui de Fortaleza, que eles adotaram naquela escola o “Controle de Assiduidade” que eu criei no ano passado: aquele papel, cheio de quadradinhos, que o aluno vai preenchendo a cada dia que passa, deixando registrado ali se ele estudou, ou não, naquele dia. 

Eu criei esse registro de controle pensando nos concurseiros, para servir de incentivo aos seus estudos. Mas na escola do meu amigo, cujo público é de crianças do ensino fundamental, quase todas muito carentes, a situação financeira precária em que vivem muitas vezes faz com que não se sintam estimuladas a estudar em casa. 

Daí, os pais desses alunos foram todos chamados para uma reunião, e aprenderam como seus filhos deveriam passar a preencher diariamente o “controle de assiduidade”. Ao fim do mês, o pai ou a mãe da criança teria que assinar o papel com o resultado dos estudos do seu filho ou da sua filha, e devolvê-lo à escola.

“Sérgio, foi impressionante o resultado. Em pouco tempo, a média das notas daqueles meninos subiu em quase 40%. Agora estão pensando em levar o controle de assiduidade para outros colégios também.”

Eu fiquei sem palavras. Um auxílio que tentei fazer a um grupo de pessoas estava se espalhando para outras tantas, que eu jamais imaginei que poderiam ser beneficiadas. 

Se vocês quiserem saber mais sobre o “controle de assiduidade”, cliquem aqui. É gratuito. Não dói nada. 

Nesta vida, meus amigos, tudo passa. Vejam o ano de 2016. Por mais difícil que tenha sido, já está passando. O que não pode passar, porém, são os nossos sonhos! Não pode passar o nosso desejo de lutar, de crescer, de vencer, de ajudar a quem possamos, de usar da nossa vida – esta oportunidade única e efêmera que temos – para obedecer à ordem bíblica, que diz: “Não vos canseis de fazer o bem”. 

Não é fácil, mas é preciso!

Puxa! Hoje acabei escrevendo bastante! Isso prova que quando digo as palavras “é uma alegria escrever-lhes”, não estou sendo retórico, mas sincero. 

Quase esqueço: o livro ao qual me referia lá no início deste artigo é “O Poder da Ação”, do autor Paulo Vieira, um coach muito conhecido nacionalmente. Com aquele número todo de “impactados”, fiquei curioso e comprei o livro. Ainda não o li, mas o farei logo. Quem sabe se eu também não entro naquele rol de impactados, não é? Espero que sim!

Dedico este artigo à Dona Marilúcia, minha mãe, ao Seu Sérgio, meu pai, aos meus irmãos, Regina, Felipe e Lília Maria, a todos os professores de quem fui aluno, citados ou não, e a todos os que um dia olharam para mim com amizade, e me estenderam a mão quando precisei, até mesmo sem me conhecer. 

Para finalizar, quero que saibam, vocês todos, e jamais se esqueçam disso: que para Deus nenhum de nós é invisível!

Estamos juntos, meus amigos!

Um forte abraço a todos!

E fiquem com Deus!

Sérgio

olaamigos@gmail.com