Não Desista do Seu Sonho!

Não Desista do Seu Sonho!

Olá, Amigos!

Tudo bem com vocês?

Nascia o ano de 1996. Eu tinha então 23 anos, quando resolvi fazer concursos públicos.

Entrei num cursinho para estudar, pela primeira vez na vida, matérias como Direito, Economia e Contabilidade.

Na Estatística e na Matemática Financeira eu também era praticamente iniciante. Raciocínio Lógico? Não sabia nem do que se tratava.

Naquele início, o que havia era apenas um sonho! (Mas não é assim mesmo que tudo começa?)

A força daquele sonho mudaria a minha vida e eu nem sabia disso.

Queria trabalhar na Receita Federal. Queria ser Fiscal! (AFTN, como se chamava na época).

As primeiras aulas que tive foram suficientes para eu perceber onde estava me metendo...

Não entendia a linguagem jurídica. Não entendia a linguagem contábil. Até a Língua Portuguesa, que eu julgava saber alguma coisa, me parecia um mistério...

Naquele mesmo ano de 1996 saiu o edital para AFTN. Mas adoeci poucos dias antes da prova. Fiquei internado e perdi aquela primeira oportunidade.

Decerto que não tinha chance nenhuma. Tudo era ainda uma grande novidade. Fiquei chateado por não ter tido a experiência de enfrentar aquele concurso.

Mas eu sabia que tudo acontece a seu tempo!

Continuei estudando! Tinha ânsia de aprender cada vez mais!

Naquela época, meus amigos, não havia nem editoras, nem livros, nem sites voltados para concursos!

Encontrar cadernos de provas passadas era como encontrar um tesouro!

Não havia orientação nenhuma, nenhum direcionamento de alguém mais experiente. Nada disso!

Tive sorte de encontrar bons livros. Aprendi Direito Constitucional com José Affonso da Silva. Direito Administrativo, com Hely Lopes Meireles. Tributário com Hugo de Brito Machado.

Eram livros clássicos, sem dúvidas, mas acadêmicos. Não traziam questões de concurso. Não diziam nada acerca das bancas elaboradoras.

ESAF, Cespe, FCC... todas eram, para mim, ilustres desconhecidas!

Daquele primeiro cursinho que fiz, valeu-me uma frase que ouvi do professor de Contabilidade. Ele havia acabado de resolver uma questão imensa, e um colega comentou em voz alta que era impossível entender um problema daquele...

Daí aquele mestre nos presenteou com esta frase: “Da sétima vez que você estiver resolvendo esta questão, ela vai lhe parecer muito fácil”.

Havia pouco mais de 5 alunos na sala. Um deles era eu. E esta lição me acompanhou daí por diante! Quem é meu aluno sabe que estou sempre a repeti-la: “Sete vezes! Sete vezes! Sete vezes!...”

Em 1997, fiz prova para Técnico do Tesouro Nacional, TTN, o antigo nome do Analista-Tributário da Receita Federal do Brasil.

Com um ano e meio de estudos, já somava uma bagagem de conhecimento até razoável.

Só não contava com aquela prova de Espanhol... O que era aquilo, gente? Parecia russo! De 10 questões, acreditem-me, só consegui acertar uma!

E fiquei de fora!

Foi quando adotei o Inglês para minhas provas futuras, mesmo sabendo que um imenso esforço me aguardava, a mim, que ainda estava no “the book is on the table”...

Em 1998, meses depois do “massacre do Espanhol”, veio novo edital para TTN.

O concurso foi no primeiro semestre do ano. E deu certo!

Foi nesta ocasião que compreendi que a verdadeira concorrência é a prova!

Não importa se há 500 candidatos brigando por uma vaga. Importa apenas se você está preparado para conquistá-la!

E foi então que realizei a primeira etapa do meu sonho, de ingressar na Receita Federal. Faltava agora “apenas” tornar-me Auditor-Fiscal.

Minha primeira oportunidade para tanto veio no final daquele mesmo ano de 1998, mas não consegui fazer boa prova.

Havia passado por uma mudança recente de cidade e de rotina. Agora trabalhava muito distante de onde morava. Não havia conseguido me organizar direito para estudar como deveria.

Enfim! Havia mil “desculpas verdadeiras” para eu não ter me saído bem naquela minha primeira prova de Fiscal.

Confesso que não fiquei chateado com aquele resultado negativo. Pelo contrário: saí da prova com a sensação de que o objetivo era alcançável. Bastaria um esforço sincero! Muito sincero! Muito, muito sincero!

No início de 1999, o presidente FHC anunciou um ano sem concursos no executivo federal.

Foi a minha deixa! Enquanto outros ficaram revoltados e esmoreceram nos estudos, eu tomei para mim a missão de usar aquele ano de 1999 para avançar na fila! Estudei muita Contabilidade! Estudei muito Direito Tributário! Estudei bastante Inglês! Bastante Língua Portuguesa!

Aproveitei até para me casar!

Enfim: foi um ano muito, muito proveitoso!

2000 também passou em brancas nuvens, sem nenhum edital para a Receita. E eu lá, firme, trabalhando de dia como TTN, lecionando à noite (já dava aula presencial em vários cursinhos da cidade) e estudando nos finais de semana e em cada segundo vago do dia!

Em 2001 tive a segunda oportunidade de tornar-me Fiscal da Receita. Já me sentia preparado! Sonhava com o dia da prova! Sonhava com meu nome na lista dos aprovados!

Mas veio a decepção: faltou-me um ponto, um único ponto – um mísero ponto – na prova de Relações Econômicas Internacionais!

Até em Contabilidade, que era o meu dilema, saí-me bem! Na verdade, saí-me bem em tudo! Menos em REI, como chamávamos.

Desta vez, meus amigos, quase fiquei sem chão! Cheguei a chorar de raiva.

Lembro que passei 2 dias muito chateado. No terceiro dia, fui a uma livraria e comprei alguns livros de Relações Econômicas Internacionais. Estava realmente disposto a dominar aquela disciplina! Se ela havia me tirado a vaga em 2001, seria também ela que me daria a vaga em 2002.

Estudei tudo novamente, e ainda com mais vontade!

Eu sabia que a minha aprovação estava próxima! Sabia que a minha vez estava chegando!

Não podia esmorecer!

Quase 7 anos depois, eu seguia ainda movido por aquele sonho do início!

2002 chegou, finalmente, e com ele o concurso de Fiscal. Eram apenas 5 vagas. E uma foi minha!

Hoje começamos o ano de 2018. Já faz muito tempo que toda essa minha história se passou.

E apesar de todo o sacrifício de estudar por 7 anos ininterruptos, usando todas as férias, todos os feriados, todos os carnavais, as copas do mundo, as festas de fim de ano, tudo isso para estudar mais um pouco, venho hoje aqui para lhes dizer que valeu a pena!

Não me arrependo de nada!

O servidor público não fica rico, é bem verdade. Mas leva uma vida estável. Tem condições até de tirar férias com a família, como estou fazendo agora!

Se tive vida fácil naqueles 7 anos de preparação? Claro que não! Tudo foi regado a dificuldades de toda sorte.

Dificuldades talvez iguais às que vocês estejam enfrentando agora!

Importante mesmo é não desanimar!

Importante é acreditar que todo verdadeiro esforço vem seguido de sua recompensa!

Ademais, meus amigos, vocês não estão sozinhos!

O Olá Amigos está aqui, de braços abertos para ajudá-los!

Vamos fazer de 2018 o ano da vitória!

Estamos juntos!

Um forte abraço a todos!

E fiquem com Deus!

Prof. Sérgio Carvalho

olaamigos@gmail.com