A Armadilha da Dispersão

A Armadilha da Dispersão

Olá, Amigos!

Que alegria escrever-lhes!

Espero que estejam todos bem!

Chegamos a uma época do ano bastante crítica na vida dos concurseiros.

Nem bem começou o mês de novembro, e já está cheio de Papai Noel por aí, prenunciando as comemorações natalinas...

Corre-se, assim, um grande risco em perdermos algo deveras precioso para nós, que é o foco!

Agora há pouco, revirando arquivos, encontrei um texto que escrevi há alguns anos, tratando deste tema. E decidi transcrevê-lo aqui para vocês!

Desejo que estas palavras possam dar ensejo a alguma reflexão e gerar atitudes importantes para a vossa jornada!

A ARMADILHA DA DISPERSÃO

A ciência descobriu, recentemente, que nosso cérebro costuma ter, em média, algo em torno de quarenta mil pensamentos por dia.

Incrível, não é mesmo?

Apesar de ser algo involuntário, já que os pensamentos vêm de qualquer jeito, somos capazes de selecioná-los ou rejeitá-los, acolhê-los ou expulsá-los.

E assim, temos o poder de decidir os nossos atos e de tocar a nossa vida conforme nos aprouver!

O problema todo está em fazer acertadamente nossas escolhas, direcionando-as de forma objetiva aos nossos propósitos.

Se você está fazendo esta leitura é porque decidiu ser aprovado em concursos públicos. 

O próximo passo é estabelecer com clareza o objetivo! Qual a área que lhe interessa? Qual o cargo? Quais são as disciplinas que terá que aprender e dominar?

E o caminho está definido!

Agora vem a parte difícil: a execução.

O mais importante nesse momento é dirigir nossos esforços no sentido da aprovação.

“Terei que estudar bastante, certo?”

Certíssimo!

“E o que mais? Dizem que fazer exercício físico ajuda! Academia, sem dúvidas!”

Ótimo!

“Acho que também vou praticar algum esporte! Vai ajudar, certamente! Vou começar a jogar tênis!”

Perfeito!

“Ioga também vai me deixar mais centrado. Ouvi dizer que ajuda bastante...”

Excelente!

“Também faz anos que quero aprender a tocar piano. Não vou mais deixar isso para depois. Tem que ser agora!”

Maravilhoso!

“E o meu sonho de aprender alemão? Já procrastinei demais!”

Muito bem!

“Além disso, não posso deixar de lado o ‘happy-hour’ com meus amigos! As amizades são tudo em nossa vida!”

Lógico!

“E quanto ao meu ‘hobby’, de fazer trilha de carro todo fim de semana? Deste eu não posso abrir mão...”

Sem dúvidas!

“Quase esqueço: vou precisar também de um pouco de ócio! E já que vou ver o telejornal, para me manter atualizado, não custa nada também uma novelinha para espairecer...”

Quando o sujeito se der conta, verá que sobrou pouco ou quase nenhum tempo para dedicar aos estudos!

A vida já é por demais corrida para a maioria das pessoas. Temos que sair de casa para trabalhar, para resolver problemas, para cuidar dos filhos, para ajudar alguém, para fazer mil coisas. Quando retornamos, estamos quase sempre estressados, ainda sob o efeito do trânsito caótico das nossas cidades.

Se queremos de fato alcançar nosso objetivo da aprovação, precisamos ter foco.

Você pode estudar para concurso e fazer academia!

Você pode estudar para concurso e jogar tênis ou praticar qualquer outro esporte!

Você pode estudar para concurso e fazer ioga!

Você pode estudar para concurso e estudar alemão!

Você pode estudar para concurso e aprender piano!

Você pode estudar para concurso e sair com os amigos!

Você pode estudar para concurso e viajar todos os fins de semana!

Você pode até mesmo estudar para concurso e ver novela... (Parabéns para quem conseguir encontrar alguma utilidade nisso!)

São atividades que podem ser boas para você e podem fazer bem.

Mas será que tudo isso é realmente prioritário?

A resposta vai depender do grau de comprometimento que cada um tem com o seu objetivo.

Para quem assumir a aprovação como uma meta principal de vida e tiver realmente o sonho de conquistá-la quanto antes, então convém fazer uma boa análise.

O tempo é escasso. Não dá, infelizmente, para fazer tudo o que queremos de uma vez só.

Pense no quanto será bom dispor de mais tempo, e mais dinheiro e tranquilidade, para aprender um instrumento musical novo, um esporte novo, um idioma novo, para sair com os amigos com mais frequência, para viajar todos os fins de semana e até mesmo para ver todas as novelas da TV, depois de ter sido aprovado no concurso dos seus sonhos.

Que tal, hein?

De todas essas atividades que relacionei, a experiência ensina que há duas delas que são de fato imprescindíveis: atividade física e lazer.

Essas aí são tão importantes quanto sentar e estudar! Mas tudo na medida certa, obviamente.

Você conhece, melhor do que ninguém, a própria condição de vida e de tempo. Saberá, portanto, dimensionar bem a situação e definir o que é realmente prioritário.

Por favor, não pense que estou desestimulando-o a aprender instrumentos musicais, a estudar idiomas ou a fazer viagens etc. Longe de mim! Gosto muitíssimo de tudo isso.

Estou apenas alertando para a questão do foco.

Quer conhecer uma história bem interessante?

Tive um colega, fiscal da Receita, que enquanto estudava para o concurso, fazia conservatório de música (tocava vários instrumentos), estudava latim e grego. E foi aprovado!

Esse meu amigo já está aposentado. Trabalhamos juntos por mais de um ano. A propósito, ele também é matemático, engenheiro e médico. Que tal? E é poliglota, e gosta de traduzir poesias de Shakespeare, do inglês antigo. Suas traduções são esplêndidas!

Sem nenhum constrangimento, reconheço que não tenho nem um décimo da capacidade de aprendizado desse homem.

Mas isso não me impediu de também ser aprovado!

Ocorre que eu, diferentemente dele, tive que restringir minhas atividades extras ao mínimo possível durante minha fase de estudos para o concurso.

Entende o que estou querendo dizer?

Cada um é que sabe o que deve assumir como prioridade e o que deve ser tido como secundário e, portanto, deixado de lado nesse momento da preparação.

Não se trata de abandonar sonhos. Trata-se apenas de estabelecer o momento certo para realizá-los. Só isso.

Quantas vezes usamos mil atividades como armadilhas que nosso próprio cérebro prepara para nós? A propósito, o nome disso é autossabotagem. É preciso ter cuidado para não cair nessa.

É preciso ter foco!

É isso o que distingue quem é concurseiro de verdade, de quem está apenas brincando de fazer concurso.

Que tal pensar um pouco nesse assunto?

Estamos juntos!

Um forte abraço a todos!

E fiquem com Deus!

Sérgio

olaamigos@gmail.com